18 julho 2010

Tratamento na China - Final

Ilustrando a última parte com as fotos do Kleber, sentado na cama no apartamento do Wu Medical, após a segunda indução de células-tronco, fato que não ocorria há dois anos, e, a mais significativa, andando com ajuda de aparelho, (após a quarta indução) e o que mais nos emocionou, quando ele, em lágrimas, disse: Mamãe!! Estou andando!!!

Chegamos ao final desse tratamento que se iniciou cheio de incertezas e medos, podemos dizer que o prometido foi cumprido e foram além, afinal, as condições que se apresentaram aqui no Wu Medical foram superiores ao que esperávamos e os resultados também, e o que sentimos é uma paz e uma sensação maravilhosa de ter atingido um objetivo que nos impusemos como pais, a partir daí não existe nada que nos dê tanta coragem e motivação para novos desafios se eles se apresentarem.

Nos próximos dois anos em que melhores resultados ainda virão, o acompanhamento será à distância. Medicamentos levaremos daqui para os próximos seis meses, exames de sangue quinzenais e orientações (em inglês) pela internet como fazem os ocidentais, pois não mais existe distância entre nós e eles.

Estamos retornando levando na bagagem sensações confusas, um misto de saudades e alegria. Saudades dos que deixamos no Brasil, casa, família e amigos. Saudades dos profissionais chineses zelosos, competentes totalmente voltados à suas atividades e que as executam com alegria, carinho e honestidade. Alegria por retornarmos ao nosso país e felizes por termos vindo à China, pois aqui tivemos segurança e orientação, pudemos receber de profissionais preparados todo o empenho e dedicação exclusivamente nessa experiência.

Nossa estadia aqui em Beijing teve um pouco de clausura, pois é um tratamento e não turismo, porém mesmo assim não podíamos deixar de estar atentos às situações que se apresentaram e num desses momentos, saímos do hospital para espairecer, não foi muito tempo, mas a experiência foi intensa.


Os amigos.
A obscuridade e a ignorância sobre o sábio e alegre povo chinês, imposta anos e anos a fio pela cultura ocidentalizada, nos retardou o aprendizado e impediu que tivéssemos acesso a esse fabuloso conhecimento milenar, que a todo o momento nos surpreende, seja pelo trabalho, seja pela admiração ao povo brasileiro ou pela capacidade de sorrir. Admiram-se com nosso calor humano nas relações, porém, ao contrário do que imaginamos não são frios, são amorosos, respeitadores e sinceros, destacamos sua cordialidade e desprendimento quando se trata de ajudar, assim como a preocupação com nosso bem estar, não só no hospital como fora dele. Deixaremos grandes amigos aqui, e quiçá, possamos voltar um dia, não na mesma condição e sim para uma visita prazerosa e para conhecer melhor esse grandioso e lindo país.

A volta.
É lamentável, porém não podemos deixar de falar sobre o nosso receio ao retornar, a certeza de ter que enfrentar novamente todos os problemas da caótica saúde brasileira; problemas pelas buscas incansáveis por profissionais competentes e honestos, que não tenham horários exíguos e atendimentos relâmpagos, que não vejam no paciente apenas uma forma de ganhar dinheiro; a busca por medicamentos caríssimos, pois ao contrário dos remédios de uso veterinário que são isentos, o governo cobra imposto onde deveria isentar, arrecada na infelicidade e na tristeza; a luta para conseguir produtos para reabilitação e acessibilidade condizente com a necessidade; e o pior de tudo, viver num país onde absolutamente nada é adaptado aos portadores de quaisquer deficiências, além de ter que dividir espaços com nossos cidadãos que pecam na educação e teimam em não respeitar direitos de outrem.

Profundamente lastimável que nosso país não tenha ainda aprendido a dar guarida a seus cidadãos, abrigá-los e protegê-los deveria ser seu maior interesse, entretanto, a falta de políticas públicas para áreas de saúde, entre tantas, faz com que seu povo tenha que buscar fora o que não encontra em sua casa. Vejam o belo exemplo que nos deu José Alencar, vice-presidente, quando o país não o socorreu, foi tratar-se nos EUA. Situações como essa é que nos assustam, pois, acreditem, a grande maioria da população brasileira está órfã quanto se trata de saúde.

Qualquer um pode decidir qual atitude tomar quando se tem uma patologia degenerativa na família, mas quando se trata de um filho e se vive em um país que não oferece a mínima condição de saúde aos seus, a saída é buscar a solução esteja ela onde estiver e não me venham dizer que custa caro, que é experimental, etc., pois, vi e vivi com sobreviventes e com pessoas maravilhosas de todo o mundo, que buscaram conforto e cura aqui e lograram êxito, ao invés de sentar-se a espera de soluções e curas que com certeza, não chegarão a tempo. Amamos nosso filho e a palavra esperar para nós não existe, pois pode significar a diferença entre a vida e a morte.

Texto e fotos do blog.

Breve postaremos no blog http://www.carvaovermelho.blogspot.com/ nossa visita a Grande Muralha da China, observando alguns tópicos interessantes da vida chinesa.

14 julho 2010

Tratamento na China – Terceira parte

Introdução
Dedicaremos essa terceira parte para apresentar em nosso blog, a missão e todo o staff de profissionais que estão comprometidos com o tratamento, os neurologistas, cujos currículos profissionais faremos um breve relato, bem como do diretor do Wu Medical Center. (www.unistemcells.com)

DR Like Wu – MD, PhD - Managing Director
DR Like Wu – MD, PhD - Managing Director

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    Leia também:
  1. Tratamento na China – Primeira parte
  2. Tratamento na China – Segunda parte



O Wu Stem Cells Medical Center (WSCMC) nomeou o Dr. Wu, co-fundador, como diretor neurologista e diretor do centro de 2005 a 2008. Dr. Wu serviu como Diretor-Chefe do Departamento de Neurologia do Hospital Beijing Tiantan Puhua ( BTPH ). Ele é o fundador do programa de investigação e tratamento de célula-tronco no BTPH. Usando únicas e inovadoras tecnologias de células-tronco o Dr. Wu, nos últimos três anos e meio e sua equipe de médicos trataram com sucesso mais de 1.700 pacientes de todo o mundo, que sofrem de várias doenças neurológicas, distúrbios e lesões, incluindo a doença de Parkinson, após acidente vascular cerebral, doença de Batten, ALS, MS, MSA, PSP, paralisia cerebral, crânio-encefálico e lesões da medula espinhal, etc. Este lançou uma base sólida para a aplicação de tecnologias de células-tronco para tratar estas doenças neurológicas antes incuráveis.


DRA. Xiaojuan Wang, MD, PhD – Associate Directo
DRA.  Xiaojuan Wang, MD, PhD – Associate Director
Socio-diretora e neurologista do WSCMC. A número um da china em tratamento com Tecnologia para células-tronco, foi aluna do Professor Li Chunyan o melhor neurologista cientista e expert em doenças cérebros-vasculares na China. Dra. Wang teve muito sucesso tratando doenças cérebros-vasculares, neuro-degenerativas além de ter rica experiência em tratamento com células-tronco para seqüelas no cérebro e medula espinhal, fez grandes trabalhos para a fundação projeto ELA, (Esclerose Lateral Amiotrófica) e para outros projetos destinados a tratamentos pós-isquemia cerebral. Dra Wong tem grandes conhecimentos na área de doenças neuro-motores e terapias de proteção após isquemias em colaboração com John Hopkins University (USA), tem mais de 40 artigos publicados sobre diabetes, doenças vasculares cardíacas e cerebrais. Membro da Associação Médica Chinesa, Associação de fisiatras da China e distinta colaboradora do Comitê de Gerenciamento da Ciência da China.


Eric Huang - Presidente, WSCMC
Eric Huang  - Presidente, WSCMC
Sr. Eric Huang é presidente do Conselho de Administração da Saúde União Beijing Co. , Ltd. (HUB) e Wu Stem Cells Medical Center. Fundador da primeira empresa comercial da China com células-tronco R & D Beijing Sinocells Bio. Co. Ltd. e da Universidade Peking Stem Cell Research Center. Quando o Sr. Huang decidiu investir em Wu Stem Cells Medical Center ( WSCMC ) em 2008, objetivou incorporar nessa sólida parceria, 10 anos de pesquisa clínicas, realizadas pelo corpo médico mais altamente preparado para o tratamento com células -tronco na China.

A MISSÃO DO WSCMC
“Como líder na investigação sobre células estaminais e suas aplicações em práticas médicas, olhamos mais para o futuro, com o objetivo de nos tornar um influente centro médico internacional, criador de diretrizes e normas para todos os outros nesse campo de células-tronco.”
“Acreditamos que por causa da nossa liderança em tecnologia médica e experiência clínica acumulada dos últimos anos, podemos oferecer esperança às pessoas em qualquer lugar do mundo que sofrem de várias doenças neurológicas, porque os nossos métodos têm um histórico comprovado de sucesso. Desde o primeiro dia que iniciamos, nossa filosofia tem sido a de utilizar as habilidades e talentos da elite médica para aliviar o sofrimento de nossos pacientes, oferecendo o tratamento mais eficaz disponível.”
Texto pesquisado e traduzido pelo blog.
Fotos do Wu Medical Center

10 julho 2010

Tratamento na China – Segunda parte

hospital de transplante de célula tronco em Begin na china
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Leia também:
Tratamento na China – Primeira parte
Antes de dar continuidade à descrição do tratamento, devemos trazer alguns esclarecimentos sobre os enfoques que fizemos sobre o uso de células-tronco no Brasil, em patologias degenerativas, situação que procuramos há muito tempo e que nos conduziu à reportagem do jornal The Washington Post de 06 de junho de 2010 (Blog União das distrofias) que cita o Brasil como um dos países que fazem tratamento com células-tronco, assim como China, Rússia e Índia. Evidentemente não atropelar as pesquisas, mas é certo que algumas experiências com humanos têm acontecido no Brasil e seus resultados não estão sendo divulgados.

Outra situação que envolve células-tronco e que os pesquisadores brasileiros tentam esconder são as pesquisas desenvolvidas pelo Dr. Giulio Cossu no Instituto San Rafaelle em Milão, onde estivemos em 2009, para tentar a possibilidade de incluir nosso filho nas experiências que já ocorriam naquele instituto com três crianças, e que em 2010 tal quadro seria aumentado para algo em torno de 10 crianças. O que nos levou a pleitear essa inclusão foi uma entrevista da Dra. Lilian Piñero Eça, Presidente do IPCTRON de São Paulo, concedida à TV Record de São Paulo onde fez esclarecimentos muito comprometedores da situação das pesquisas no Brasil e citou o trabalho de Cossu.

Poucos dias antes de virmos para a China, enviei um e-mail a Dra. Lilian, sobre a possibilidade de existirem tratamento com células-tronco para nosso filho Kleber, etc., respondeu-me: “Tem um tratamento na Itália c Dr Cossu se quiser podemos conversar pessoalmente vcs sao de SP?” Entretanto, quando observei que já havia ido a Milão, desconversou dizendo que o Dr. Giulio apenas fazia experiências com cães.
Tudo isso somado a insistência da Dra. Mayana Zatz em detonar os tratamentos na China, despertaram minha curiosidade, afinal jamais a ouvi criticar o tratamento italiano e muito menos vi publicações ou relatos dos resultados das experiências italianas com as crianças. Seriam os italianos melhores que os chineses somente porque estes cobram o tratamento? Por que espalhar a todos os ventos, através de entrevistas à mídia brasileira, que os procedimentos dos chineses não são confiáveis sem ao menos ter vindo ao Wu Medical Center?

Também tive a oportunidade de fazer contato com a vereadora Mara Gabrilli, de São Paulo, portadora de deficiência motora, militante na área de melhoria de qualidade de vida dos deficientes em geral e redatora de um plano de governo para o Ministério do Deficiente Físico previsto no programa de José Serra, se ele vencer as eleições é claro, que juntamente com Mayana Zatz querem promover um encontro de pesquisadores e o candidato para discutirem o uso de células-tronco para o tratamento de doenças degenerativas.
Nessa ocasião, conheci um posicionamento da vereadora sobre o tratamento com células-tronco, dizendo que aguardaria as pesquisas avançarem no Brasil e também criticando os chineses, fazendo coro com a Dra. Mayana, pois estão politicamente do mesmo lado.
Entretanto, uma colocação dessas, vindo de uma figura publica como ela, poderá desestimular brasileiros que enfrentam uma luta contra o tempo por terem uma patologia degenerativa e progressiva de irem à busca de uma alternativa para seus males urgentes. O que não é o caso de Gabrilli.

Os tratamentos podem ser italianos, chineses, russos ou até brasileiros, o que não se pode é deixar pacientes de doenças graves e que requerem tratamentos urgentes, à mercê de decisões de políticos brasileiros.
O que motiva pesquisadores do quilate das Dras. Mayana e Lilian e outros a insistir nas negativas quanto à utilização de células-tronco em humanos? Quais as razões para tantas críticas quanto aos procedimentos e cobrança pelo tratamento chinês? Se os italianos também estão utilizando células-tronco, que elas dizem que é experimental no tratamento humano, porque não são criticados? Por que desesperançar os pacientes portadores de patologias degenerativas progressivas quando afirmam não existir tais experiências, quando não têm nada a oferecer que não seja o óbito?

Vamos encerrar essa segunda parte colocando em pauta um assunto muito discutido e criticado no Brasil, a cobrança do tratamento. Citamos o Wu Medical Center porque estamos aqui. São US$ 30.000, mais passagens aéreas e além do paciente exigem a presença de dois acompanhantes, todos hospedados no próprio hospital por 40 dias. Veja as acomodações no site(www.unistemcells.com); apartamentos com ar condicionado e ventiladores, banheiro privativo, Armários, Frigobar, Água potável quente e fria, Microondas, espaço gourmet comum, lounge, TV LCD a cabo, serviço de copa e cozinha, mercadinho, food’s delivery, Exchange, salão de café, wireless, atendimento de lavanderia, roupas de cama, revistaria, DVDs, além de apoio de assistentes sociais e da administração para acompanhamento nas saídas para compras e outras necessidades. Traslados de ida e volta ao aeroporto, inclusos.
Para o paciente, além das induções de células-tronco em quatro seções, exames laboratoriais de sangue, urina, fezes, testes alérgicos semanais, medicação por via endovenosa diária, com soro e oxigênio diários, fisioterapia, massagens, terapia ocupacional diariamente, monitoramento de enfermagem 24 horas, todos os medicamentos e suplementos, acompanhamento diário por neurologista, além das consultas semanais pelo Like Wu, MD, PhD – Managing Director e Xiaojuan Wang, MD, PhD, - Associate Director, renomados neurologistas e especialistas na área de pesquisas e tratamento com células-tronco em Beijing, e que juntamente com o Wu Medical Center são citados pelo jornal The Washington Post como sendo a vanguarda desses procedimentos na China.
Alguém poderia dizer quanto custaria esse atendimento particular ai no Brasil?
Texto e fotos do Blog

Tratamento na China – Primeira parte

hospital de transplante de célula tronco em Begin na china
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Diversas vezes iniciei um texto objetivando postá-lo nesse blog e outras tantas os apaguei por não ter a certeza de estar certo, afinal essa experiência não é qualquer uma, esconde-se por detrás dessa viagem muitas lutas, algumas vencidas outras nem tanto, algumas dores, muitas lágrimas e sustos, sonhos sem fim, tantas coisas que tenho receio de esquecer algumas delas.

 Agora mais do que nunca acredito que acertamos e, para nós, tratava-se de um grande e arriscado passo, pois diversos cientistas e pesquisadores ai no Brasil, além dos médicos, nos diziam que os procedimentos aqui na China eram experimentais e alguns até disseram que era “um negócio da China”, pejorativamente, referindo-se a cobrança pelo tratamento. Entretanto, sabemos que a origem dessa expressão é que se trata de um bom negócio para ambas as partes, melhor para os expedicionários ocidentais que iam à China comprar barato e vender caro, parceria foi a realidade que encontramos aqui, pois não viemos comprar nada, viemos em busca de esperança, compreensão e melhorias na qualidade vida.


Como podem ver nesse relato, essa decisão teve suporte em situações já vividas por uma família amiga, que em desespero vieram sozinhos para cá e voltaram vencedores com seu filho Victor, (portador de Moyamoya - (http://www.unistemcells.com/en/patientstory/Moyamoya073849452.htm) totalmente recuperado após tratar-se no Wu Medical, tendo sido desenganado aqui no Brasil) Também quero reportar-me a uma situação bem singular, que apressou nossa decisão, que foi-nos dito por um médico da área de pesquisas no Instituto Genoma da USP: “Tratamento com células-tronco não é para a geração de seu filho.”


Em que pese algumas pessoas menos informadas acharem que viemos para cá enganados, esclareço que nada disso ocorreu, é claro que muitos achavam que o idioma seria um empecilho nas comunicações, não foi, falam inglês como todos e assim foi-nos esclarecido como o tratamento seria feito, qual o tipo de células-tronco seriam utilizadas, onde, quantas e como seriam as induções, quanto custaria e detalharam o custo, de medicamentos, fisioterapias, massagens, alimentação e hospedagem para o paciente e seus acompanhantes.
bandeiras de begin e china

Chegamos a Beijing e já nos esperávamos no maravilhoso aeroporto internacional a assistente social do hospital e o condutor do veículo adaptado ao transporte. Depois de 22 horas de vôo e oito em espera de conexão em Frankfurt/Alemanha, estávamos a caminho de nosso destino e do momento crucial onde as nossas verdades e mentiras de outrem seriam testadas e postas a prova e lá chegando deparamos com exatamente o que tínhamos visto nos folders e site do Wu Medical Center (http://www.unistemcells.com/) , aliás, era muito mais, pois aqueles não detalham a alegria e simpatia que nos receberam.


Sem dúvida a princípio se tem uma leve preocupação, logo a ansiedade e a expectativa de poder submeter nosso filho a um tratamento único no mundo, na China, se diluem e sentimos a sensação de cumprimento de etapa e uma alegria imensa por já termos conseguido chegar e estarmos prestes a ver o início da concretização de nossos sonhos. Inicio imediato, pois, de pronto, fomos levados ao apartamento e após nos acomodarem iniciaram a bateria de exames em nosso filho. A realização do sonho havia começado.


Faremos uma narrativa em duas partes ou três se necessário, não para provocar ansiedade e expectativa e sim porque a última indução ocorreu hoje (06/07) e novos resultados ainda aparecerão. Assim poderemos melhor detalhar situações positivas que os negociadores da saúde brasileira teimam em esconder, pois nós acreditamos que o uso de células-tronco, secretamente, ai no Brasil é um fato, desconhecemos, porém, os resultados. Também para que outras pessoas ou familiares portadores de patologias aqui tratadas possam interagir e saber dos resultados conseguidos e, com informações reais de quem lá esteve, tomem suas decisões.

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07 julho 2010

Tratamentos com células-tronco limitados nos EUA, os doentes tentam em outros países

kara Desiludido por médicos EUA que não poderiam ajudar a sua filha com paralisia cerebral, os pais de Kara Anderson fizeram algo que não poderia ter imaginado há alguns anos atrás: Eles a levaram para a China.

Especialistas na área de Chicago, onde vive a família, disseram que a lesão do cérebro em Kara era permanente e que aos 9 anos , provavelmente, acabará em uma cadeira de rodas por causa de torção grave em seus músculos da perna. Mas, então, os pais ouviram histórias sobre crianças que tinham melhorado após receber injeções de células-tronco.

O tratamento não estava disponível nos Estados Unidos. Estava apenas disponível comercialmente no exterior.

Assim foi como os Andersons se juntaram às pessoas desesperadas que estão pondo fé na busca de tratamentos com células-tronco em lugares tão distantes como China, Índia, Rússia e Brasil.

Os cientistas ocidentais temem que os pacientes estejam sendo capturados por campanhas de marketing ardilosas, desperdiçando tempo, dinheiro e esperança em terapias não comprovadas , e talvez até mesmo colocando-se em perigo.

"A terapia não regulamentada, na ausência de qualquer evidência de que essas células vão ajudar os pacientes é imprudente. Potencialmente podem fazer dano enorme”, disse Arnold Kreigstein, um neurologista, que é diretor de pesquisas com células-tronco da Universidade da Califórnia em San Francisco.

Os cientistas esperam que os vários tipos de células-tronco possam eventualmente ser usados para tratar doenças devastadoras e comuns tais como: ataque cardíaco, derrame, doença de Parkinson, diabetes, insuficiência hepática e até mesmo cegueira. Por enquanto, há poucas evidências para os benefícios de tratamentos como os solicitados pelos Andersons.

A maioria das células-tronco usadas nas clínicas chinesas são obtidas a partir de fetos de abortos espontâneos. Assim, elas vêm de algum lugar entre as células-tronco embrionárias, que vêm de embriões em estágio inicial - levantando questões éticas e religiosas sobre o seu uso - e células-tronco adultas, que são mais fáceis de obter e são considerados mais seguras e menos controversas.

Elas são consideradas amplamente menos versáteis que as células-tronco embrionárias, que podem se desenvolver em quase todo o tipo de célula do corpo, mas mais do que células-tronco adultas, que são úteis apenas para tratar os tecidos ou órgãos de onde vieram.

Células-tronco fetais também têm um lado negativo: Eles podem provocar reações de rejeição imune ou inadvertidamente levar à dor nova ou aumentada. Eles também têm uma tendência a se acumular, uma paciente que procurou tratamento na Rússia, desenvolveram tumores de cérebro depois de passar por várias terapias experimentais com células-tronco do feto , relataram cientistas na revista Medicine.

Investigação em células estaminais é um domínio em que os Estados Unidos enfrentam novos rivais - e aqueles dispostos a mover-se rapidamente a partir de pesquisa experimental para o tratamento. Um relatório publicado em janeiro pela National Science Board alertou que a posição EUA como o líder mundial da inovação está em declínio e influência da China está a aumentar. O relatório disse que é o resultado de um aumento do investimento público em educação científica e tecnológica, infra-estrutura e pesquisa.

Nos Estados Unidos, o uso de verbas federais para novas linhas de células-tronco embrionárias foi suspenso no governo de George W. Bush. O presidente Obama reverteu essa decisão, quando ele assumiu o cargo , mas a China e outros países tiveram um bom começo de muitos anos.

Os tratamentos com células-tronco embrionárias ou fetais estão em fase experimental nos Estados Unidos e não são aprovados para uso comercial pela Food and Drug Administration. Mas eles permanecem em uma área de regulamentação neutra na China, nem sancionado nem proibido.

O governo permite que 50 ou mais células-tronco clínicas a sejam utilizadas livremente. Várias autoridades de saúde chinesas manifestaram preocupação com a falta de fiscalização. Estudiosos afinados com o governo dizem que eles esperam que alguns regulamentos sejam introduzidos em breve.

O experimento das células-tronco de derivação fetal que foi iniciado nos Estados Unidos tem sido limitada a alguns pacientes, e nenhum com células-tronco embrionárias começou. Na China, milhares de pessoas submetidas a um tratamento com embrionárias, adultas e células fetais, tirada de um recém-nascido do sangue de cordão umbilical, os cientistas chineses dizem. Mas a evidência que o tratamento está funcionando é simplesmente anedótico.

“As pessoas afluem aos montes com a palavra ' tronco 'porque se sentem que o potencial é enorme. estou com eles , mas há um desalinhamento de progresso entre as comunidades científica e médica , com a divulgação pública do poder das células-tronco ", Disse Hans Keirstead , da Universidade da Califórnia em Irvine , que se especializa na investigação sobre células estaminais embrionárias e lesão medular.

Variedade de abordagens

O tratamento com células-tronco na China tanto é patrocinado pelo governo como por uma empresa comercial, com descontrole, diferentes metodologias, recursos e preços.Wu Medical

Os médicos chineses consideram o Wu Stem Cells Medical Center, http://www.unistemcells.com , onde Kara foi tratada, como instalações de primeiro nível do país para as doenças do sistema nervoso central. Localizado em frente a um parque de diversões em Pequim e dentro de um hospital de medicina tradicional chinesa, que cobra US $ 30.000 para um tratamento de cinco semanas.

Bo Cheng, diretor adjunto do centro, disse que os médicos não oferecem aos pacientes potenciais uma avaliação realista dos riscos e benefícios. “Nós dizemos-lhes que é impossível curar pacientes completamente”, disse ele. "Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida ou prolongar a sua vida.” Muitos pacientes - cerca de um terço são crianças - provenientes de países desenvolvidos, onde o tratamento médico é em geral considerado superior ao da China, embora possam ficar atrás da China em relação ao estudo, pesquisas e tratamento com células estaminais.

"Foi inacreditável"

Kara conseguiu o improvável após os dois primeiros das quatro induções de células-tronco em janeiro, ela começou a mancar com auxílio de uma muleta e andar até 15 minutos em uma esteira, com o apoio de um corrimão, de acordo com seus pais e médicos. Ela poderia levantar pedras com a mão esquerda sobre a cabeça dela, coisa que ela nunca pode fazer antes.

Seu pai, Brian Anderson, que aprendeu sobre o tratamento com um parente que sugeriu que ele fizesse a pesquisa na Internet, disse recentemente que Kara vem mantendo essas habilidades desde o seu tratamento em dezembro. Ele disse também que está notando melhora em sua visão.

"Nós realmente não sabíamos o que esperar, mas ela ficou melhor e melhor a cada dia. Foi inacreditável”, disse Anderson, 41 anos, que obteve de uma construtora o financiamento da viagem e o tratamento foram com o dinheiro obtido a partir de parentes, amigos e sua igreja.

Os médicos disseram que o calendário de melhoria de Kara pode ter sido uma coincidência: os sintomas da paralisia cerebral periodicamente ficam melhores ou piores, por motivos desconhecidos, mas histórias como a dela divulgadas na internet estão atraindo milhares de pacientes.

Nos Estados Unidos, a experimentação que envolve infusões de células-tronco embrionárias em pacientes com lesão medular foi adiada de janeiro até agosto para responder às preocupações de segurança levantadas pela FDA. Keirstead, cujo trabalho é a base para o julgamento, em 2005, fez manchetes para mostrar os progressos com roedores feridos que andaram novamente, disse que está ansioso para ver o julgamento iniciado.

"Eu estava pulando de alegria ao ver os primeiros ratos andarem novamente e emocionado quando vi o progresso da tecnologia da clínica, muito feliz em ver FDA aprovar isso ", disse Keirstead . "Agora que nós estamos na iminência de ver isso em humanos, estou desanimado e frustrado em ver quanto tempo ainda pode demorar, porque a necessidade é tão grande.”
Wu+Medical
Pesquisadores Lucy Liu e Zhang contribuíram para este relatório.

Fonte: The Washington Post – 06 de junho de 2010

Fotos e tradução do Blog.

27 maio 2010

Nossa ida à China!!










Nossa ida à China!

Amigos: Nossa busca pela melhora de vida de nosso filho Kleber transcende alguma postura mais racional ou contemplativa. Existem muitas pessoas que ficarão admiradas e outras um tanto preocupadas com nossa decisão, entretanto, cabe a nós, os pais, decidir sobre os caminhos e tratamento de nosso filho.

Há muitos anos, desde que ele nasceu, 09 anos, que os pesquisadores aqui no Brasil estão dilatando o prazo para a efetiva aplicação das células tronco em humanos, ou melhor, dificultando o nosso acesso a esse tratamento, pois ele existe e é utilizado “debaixo dos panos”, para pessoas e interesses mais chegados.


Não se trata de um aventura irresponsável, como dirão alguns, principalmente os profissionais da área médica, pois nossa decisão embasa-se em contatos aqui em São Paulo com uma família que levou seu filho lá na China, para tratar de uma patologia muito mais preocupante (Moyamoya) e aqui estava desenganado. Nós os conhecemos lá em Abadiânia/GO (Vide foto), ele que saiu daqui em estado vegetativo, fala, anda, brinca, ri, vai à escola, e interage com as pessoas de forma positiva, não apresentando o quadro que existia aqui antes das aplicações de células-tronco, no WU Stem Cells Medical Center. ( http://www.wustemcells.com/ )


Os estudos e pesquisas aqui no Brasil estão sempre a mercê de decisões de políticos, de influência da Igreja Católica, e outros, o que pesou em nossa decisão. A dependência brasileira na liberação de pesquisas, nos estudos, segue padrões ocidentais quanto à ética médica, enquanto lá na China a ética é outra, a cultura e os padrões também o são. Há tempos que utilizam células-tronco retiradas de cordão umbilical, principalmente de fetos, pois lá o aborto é permitido, enquanto aqui no ocidente a hipocrisia fala mais alto e pessoas que poderiam ter uma vida normal, padecem por falta de tratamento adequado.


A rede Globo tem um papel ambíguo na divulgação dos fatos verdadeiros, afinal eles não podem servir a dois patrões: a verdade e o dinheiro. Quando apresentaram em programa recente resultados (não muito positivos) de pessoas que foram à China em busca de cura, não o fizeram com o alcance que deveriam e nem procuraram entrevistar aqueles cujos resultados foram e são muito positivos, como o caso Victor,(http://www.wustemcells.com/en/patientstory/Moyamoya073849452.htm ) que cito nesse texto.


Os repórteres da Globo não se preocuparam em procurar o que de melhor está sendo feito com aplicações de células-tronco lá na China, apenas colocaram situações superficiais e apresentaram uma família cujo pai é neurologista, aparentemente contra os procedimentos lá adotados. O Wu Medical Center (vide site) que citamos não tem nada a ver com o procedimento que a Globo apresentou, muito ao contrário, é muito superior.

Estamos indo em busca do que existe de melhor no mundo hoje para a melhoria de qualidade de vida de nosso menino. Agradecemos a todos os que, de uma forma ou de outra, colaboraram e nos incentivaram a tomar tão sérias decisões. Esperamos que mantenham a positividade e as orações que tanto nos ajudam. Deus nos ajuda.
Muito obrigado.
Daniel, Natascha e Kleber

25 maio 2010

Infarto feminino




"Ela comentou que não se sentia bem...doíam as costas.
Foi deitar-se um pouco até que passasse.. Mais tarde, quando fui ver como ela estava, a encontrei sem respiração... Não a puderam reviver..."
Comentou o marido ao médico já no Hospital.

Eu sabia que os ataques cardíacos nas mulheres são diferentes, mas nunca imaginei nada como isto. Esta é a melhor descrição que li sobre esta terrível experiência...

Sabia que os ataques cardíacos nas mulheres raramente apresentam os mesmos sintomas 'dramáticos' que anunciam o infarto nos homens? Me refiro à dor intensa no peito, o suor frio e o desfalecimento (desmaio, perda de consciência) súbito que eles sofrem e que vemos representados em muitos filmes.

Para que saibam como é a versão feminina do infarto, uma mulher que experimentou um ataque cardíaco nos vai contar sua história:
"Eu tive um inesperado ataque do coração por volta de 22h30min, sem haver feito nenhum esforço físico exagerado nem haver sofrido algum trauma emocional que pudesse desencadeá-lo. Estava sentada, muito agasalhadinha, com meu gato nos joelhos vendo novela.
Um pouco mais tarde, senti uma horrível sensação de indigestão, como quando estando com pressa - comemos um sanduíche, engolindo-o com um pouco de água.
Esta foi minha sensação inicial... O "único problema" era que eu NÃO HAVIA comido NADA desde às 17h00min.
Depois, desapareceu esta sensação e senti como se alguém me apertara a coluna vertebral (pensando bem, agora acredito que eram os espasmos em minha aorta).
Logo, a pressão começou a avançar para o meu esterno (osso de onde nascem as costelas no peito). O processo continuou até que a pressão subiu à garganta e a sensação correu, então, até alcançar ambos os lados de meu queixo.
Tirei os pés do puff e tratei de ir até o telefone, mas caí no chão...
Me levantei me apoiando em uma cadeira e caminhei devagar até o telefone para chamar a emergência. Lhes disse que acreditava que estava tendo um ataque cardíaco e descrevi meus sintomas. Tratando de manter a calma, informei o que se passava comigo. Eles me disseram que viriam imediatamente e me aconselharam deitar-me perto da porta, depois de destrancá-la para que pudessem entrar e me localizar rapidamente.
Segui suas instruções, me deitei no chão e, quase imediatamente, perdi os sentidos.
Acordei com o cardiologista me informando que havia introduzido um pequeno balão em minha artéria femural para instalar dois 'stents' que mantivessem aberta minha artéria coronária do lado direito.
Graças a minhas explicações precisas, os médicos já estavamesperando prontos para atender-me adequadamente quando cheguei ao hospital".

Dicas importantes:

1. Dizem que muito mais mulheres que homens morrem em seu primeiro (e último) ataque cardíaco porque não identificam os sintomas e/ou os confundem com os de uma indigestão. CHAMEM a AMBULÂNCIA, se sentirem que seu corpo experimenta algo estranho. Cada um conhece o estado natural (normal) de seu corpo. Mais vale uma "falsa emergência" do que não atrever-se a chamar e perder a vida.

2. Notem que disse "chamem os Paramédicos/Ambulância". AMIGAS, o tempo é importante, e as informações precisas também.
3. Não acreditem que não possam sofrer um ataque cardíaco porque seu colesterol é normal ou "nunca tiveram problemas cardíacos".

Os ataques cardíacos são o resultado de um stress prolongado que faz que nosso sistema segregue toda classe de hormônios daninhos que inflamam as artérias e tecido cardíaco.Por outro lado, as mulheres que estão entrando na menopausa ou já a ultrapassaram, perdem a proteção que lhes brindava os estrogênios, pelo que correm igual risco de sofrer mais problemas cardíacos do que os homens.
(Foto ilustrativa)

14 maio 2010

Para renovar as esperanças (tratamento com células-tronco)


(Texto resumido) (27/03/2008)
Vítima de acidente, Renato Cafundó é também o primeiro do País a receber substâncias contra rejeição de transplante.
O enfermeiro Gilço Lima Souza, de 60 anos. Primo de Renato Cafundó, há muito vê o parente — com 42 anos — mover mundo e fundos para amenizar sua paraplegia, conseqüência de um acidente automobilístico em janeiro de 2006. E, nessa busca, Cafundó fez jus ao sobrenome. Se mandou para Pequim, na distante China. Fez ouvidos moucos às opiniões de seus médicos no Brasil. Mesmo em cadeira de rodas, driblou quem o chamava de louco pelo que ia fazer. Veio, viu e aceitou ser o primeiro brasileiro a se submeter, em 11 de março, a um tratamento especial com células-tronco e neurais, desenvolvido por chineses. Por quê?


“Quero voltar a andar, né?, meu amigo”, respondeu na entrevista exclusiva à agência chinesa de notícias Xinhua. Cafundó falou com voz e olhar decididos. Ao mesmo tempo, deu um leve tapa na almofada que tinha na cama em que estava no Hospital Xishan. Passou a impressão de querer dizer algo como “o que você faria se estivesse no meu lugar e encontrasse uma esperança?”.


Onze meses depois, assistia a um médico chinês apresentar um tratamento para melhorar a qualidade de vida daqueles que lesionaram a medula espinhal cervical. O método também é dirigido a pessoas com doenças degenerativas e que tiveram os movimentos de braços e pernas afetados. O especialista mostrava uma vítima dessas enfermidades, que havia deixado de andar. E dois dias após receber o implante, conseguia voltar a dar alguns passos.
 No Oriente
 Ah, mas pensa que foi só tomar o avião, vir para Pequim e entrar na sala de cirurgia? Nada disso.
A primeira foi a da língua. Descobriram que seus interlocutores chineses, além do mandarim, só falavam inglês, como o italiano Onofore Domenico. Este, que acompanha a mãe no mesmo hospital, fez as vezes de intérprete porque domina o espanhol. A propósito, mamma Domenico é mais uma das muitas estrangeiras vindas dos quatro cantos do mundo em busca de uma esperança no território chinês, único lugar onde está liberado o uso de células-tronco para implante em seres humanos.
 Clipping Eletrônico - Departamento de Comunicação Social - PUC-Campinas (Foto ilustrativa)


03 maio 2010

Debio 025 - Distrofia Muscular



Uma droga nova que está sendo estudada para o tratamento da degeneração muscular doenças tem mostrado resultados promissores. De acordo com um estudo publicado hoje na British Journal of Pharmacology, Debio 025 é tão eficaz quanto as drogas atuais mas, sobretudo, não causar indesejáveis efeitos imunosupressivos.


Ullrich e Bethlem miopatia congênita de Distrofia Muscular (UCMD) são as doenças músculo desperdício causado pela deficiência do colágeno VI, um componente do tecido conjuntivo. Os pacientes são geralmente diagnosticados no nascimento e sofre de fraqueza muscular que piora com o tempo. UCMD pacientes muitas vezes também sofrem de insuficiência respiratória, o que é complicado por infecções pulmonares. Embora a droga ciclosporina A (CsA) oferece algum benefício para esses pacientes, o seu uso a longo prazo pode ser indesejável, pois interage com a calcineurina, uma proteína importante imunomoduladoras.


"O tratamento a longo prazo com CsA é arriscado porque ela suprime o sistema imunológico, tornando o paciente mais suscetível a infecções pulmonares com risco de vida", diz Paolo Bernardi, que liderou a equipe na Universidade de Padova em Itália. "Nossos resultados sugerem Debio 025 pode fornecer uma alternativa mais segura".


No estudo, os ratos que sofrem de uma doença dedesperdício similar à distrofia muscular humana foram protegidos quando tratados com Debio 025. Os pesquisadores estudaram as células musculares de ratos que receberam o medicamento por cinco dias e encontraram diminuição no número de fibras musculares anormais semelhantes aos relatados em estudos de tratamento com CsA. Eles também foram capazes de mostrar que Debio 025, apesar de relacionados com a CsA, não foi alvo da calcineurina.


"Essa droga não tem efeitos sobre o sistema imunológico e por isso poderiam ser usadas por períodos prolongados de tempo sem aumentar o risco de infecção. Devemos ser capazes de tratar as crianças afetadas por estas formas de distrofia muscular e possivelmente abrandar ou mesmo parar a progressão da a doença ", diz Bernardi.
(Foto de célula - ilustrativa)

29 abril 2010

Implante de Fibroblastos - Adeus às rugas

Nova terapia é utilizada para prolongar a jovialidade da pele.

O envelhecimento facial atinge o ser humano provocando marcas e sinais de expressão que denotam a idade e causam desconforto visual no convívio social. Diversas técnicas cirúrgicas e procedimentos ancilares foram desenvolvidos para a atenuação destas marcas, mas nenhum deles restabelece a produção do colágeno e dos fibroblastos. A engenharia tecidual, termo definido em 1987 durante o Congresso de Bioengenharia de Washington, estabeleceu um campo multidisciplinar de estudos, que engloba principalmente conhecimentos de engenharia de materiais e ciências biomédicas. Esta engenharia caracteriza-se pelo desenvolvimento e manipulação de moléculas, células, tecidos ou órgãos, utilizada para o restabelecimento da função de partes do corpo injuriadas ou defeituosas. Os elementos necessários para a aplicação dos princípios da engenharia de tecidos estão baseados na tríade: (1) cultivo de células apropriadas (fibroblastos, osteoblastos, células-tronco, entre outras); (2) matrizes (arcabouços, “scaffolds" ou carreadores) confeccionadas em colágeno, osso ou polímeros sintéticos e; (3) adição de mediadores solúveis, como, fatores de crescimento e adesinas (UEDA et al., 2000). As estratégias da engenharia tecidual, através do cultivo celular humano para aplicação clínica, estão sendo desenvolvidas em diferentes especialidades médicas para reposição de cartilagens, ossos, componentes cardiovasculares e pele. (FRESHNEY, 1999; MALEKZADEH et al., 1998).
Objetivo
Restabelecer a produção de colágeno elastina da pele para minimizar ou prevenir as marcas do envelhecimento facial.
Metodologia
O processo é baseado na coleta de um fragmento de pele no tamanho de 1 cm2 que é enviado ao laboratório de cultura celular, onde os fibroblastos são separados das outras células da pele e tratados com fatores de crescimento, que estimulam a sua multiplicação. Depois de 4 semanas, os fibroblastos cultivados são acondicionados em seringas de 1 ml com agulha fina, prontas para a aplicação. Após anestesia tópica, o material é injetado na derme. A quantidade a ser injetada vai depender da necessidade de cada paciente.

O resultado vai aparecer com o tempo. Em geral, os intervalos serão definidos de acordo com a cultura individual e as aplicações poderão ser feitas em 4 sessões com intervalos médios de 15 dias. O resultado não é imediato, já que não se trata de um preenchimento e sim de uma estimulação celular. As células injetadas vão se integrar à pele e começar um processo de restauração da derme, produzindo colágeno e substâncias da matriz extracelular. O resultado é a melhora da qualidade da pele, decorrente da regeneração tecidual, que tem efeito rejuvenescedor e se mostrará perceptível algumas semanas depois da última sessão. Estudos realizados demonstraram uma permanência do grau de correção em torno de 70% em 12 meses e de 65% em 36 a 48 meses.
As células podem ser congeladas para uso no futuro. Os fibroblastos cultivados podem ser congelados em laboratório para serem utilizados no futuro.

Profª. Dra. Lilian Piñero Marcolin Eça



Graduada em Biomedicina pela Universidade Santo Amaro - OSEC (1978), doutorada em Biologia Molecular pela Universidade Federal de São Paulo (2004). Atualmente é consultora técnica do Banco de Cordão Umbilical - BCU BRASIL, presidente do Instituto de Pesquisas de Células tronco - IPCTRON, diretora científica do Curso de Extensão Universitário: "A pesquisa de células tronco" e do curso lato-senso: "A Bilogia Celular e Molecular na Medicina Atual-Células Tronco" , coordenadora científica da Associação de Engenharia de Tecidos - ABRATRON, autora do livro: Biologia Molecular - Guia prático e didático, docente com experiência na área de Biologia Geral, com ênfase em Biologia Molecular e pesquisadora experimental com células tronco mesenquimais em reparação óssea de fissura palatal,cartilagem traqueal e nó atrioventricular.

24 abril 2010

Moyamoya


Moyamoya doença foi descrita pela primeira vez Japão nas décadas de 1960 e desde então tem sido encontrado em indivíduos do Estados Unidos , Europa , Austrália e África .
O nome Moyamoya significa "nuvem de fumaça" em japonês, devido ao aspecto dos múltiplos vasos colaterais na angiografia cerebral, critério usado neste caso para confirmar o diagnóstico.
A doença cerebrovascular oclusiva crônica Moyamoya é caracterizada por progressiva estenose ou oclusão da parte distal da artéria carótida interna, bilateralmente.

Porque ela tende a manifestar-se nas famílias, os investigadores pensam que a doença de Moyamoya é o resultado de alterações genéticas hereditárias.
A incidência é maior na primeira década de vida (50% na idade pré-escolar), mas ocorre também na segunda e terceiras décadas de vida, com maior frequência no sexo feminino.


Em crianças, o primeiro sintoma da doença é frequentemente o derrame ou o ataque isquêmico transitório recorrente (TIA) comumente referido como “mini-cursos”, frequentemente acompanhada por fraqueza muscular ou paralisia que afeta um lado do corpo ou convulsões.

Nos adultos, na maioria das vezes, pode ocorrer uma experiência com Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, devido à coágulos sanguíneos recorrentes nos vasos do cérebro afetado. Os indivíduos com este transtorno podem ter perturbado a consciência, déficits na fala (geralmente afasia), deficiências sensoriais e cognitivas, movimentos involuntários e problemas de visão.

Em relação ao tratamento, como ocorre uma interação entre o sistema imune e a parede do vaso, isto pode servir como base clínica para o uso de drogas anti-inflamatórias não hormonais. Em relação ao tratamento cirúrgico, na literatura revisada, encontramos a ressecção cirúrgica de parte da via simpática cervical, produzindo melhora clínica parcial.

Mais recentemente, obtiveram-se resultados muito favoráveis em crianças afetadas que, foram tratadas cirurgicamente através de encéfalo-duro-sinangiose . Esta cirurgia consiste na aproximação de parte da circulação da artéria temporal superficial à área meníngea, que resulta em uma circulação colateral pelo desenvolvimento de novos vasos sanguíneos, induzidos pela artéria doadora extracraniana, que restitui o fluxo para as áreas isquêmicas. Esses vasos sanguíneos não se desenvolvem somente nas porções distais das artérias, mas também vasos brotam nas regiões proximais. Há fatores de crescimento de vasos sanguíneos no líquor de pacientes com doença de moyamoya, que são responsáveis pelo desenvolvimento desta nova circulação.

Em conclusão, este tratamento cirúrgico descrito, apesar de poucos casos relatados, mostrou bons resultados em 50% e, nos outros restantes, houve alguma melhora da linguagem, fala e habilidades motoras. Destacamos a importância de pensarmos nesta patologia, no diagnóstico diferencial, em crianças com quadro sugestivo de acidente vascular cerebral, pois tendo a opção do tratamento cirúrgico de revascularização cerebral, poderemos minimizar os efeitos deletérios importantes que esta patologia provoca na vida dos pacientes e de seus familiares, melhorando em muito a vida atual e futura destes pacientes.
(Fotos ilustrativas)

19 abril 2010

Osteoporose

O que é?
Osteoporose é a doença óssea metabólica mais freqüente, sendo a fratura a sua manifestação clínica. É definida patologicamente como "diminuição absoluta da quantidade de osso e desestruturação da sua microarquitetura levando a um estado de fragilidade em que podem ocorrer fraturas após traumas mínimos". É considerada um grave problema de saúde pública, sendo uma das mais importantes doenças associadas com o envelhecimento.
 A fratura de femur é a consequência mais dramática da osteoporose. Cerca de 15% a 20% dos pacientes com fratura de quadril morrem devido à fratura ou suas complicações durante a cirurgia, ou mais tarde por embolia ou problemas cardiopulmonares em um período de 3 meses e 1/3 do total de fraturados morrerão em 6 meses. Os restantes, em sua maioria, ficam com graus variáveis de incapacidade.
 Em aproximadamente 20% dos casos pode ser identificada uma doença da qual a osteoporose é secundária e nos 80% restantes os pacientes são portadores de osteoporose da pós-menopausa ou osteoporose senil.
 Como se desenvolve?
O remodelamento ósseo é um processo contínuo de retirada de osso para o sangue e formação de osso novo, ocupando 20 a 30% do esqueleto a cada momento. Através do remodelamento, o tecido ósseo substitui células velhas por novas (o que ocorre em todos tecidos) e o organismo pode dispor de elementos importantes que são armazenados nos ossos, como o cálcio. 
 
Os osteoclastos são as células responsáveis pela reabsorção durante o remodelamento.
No início de cada ciclo de remodelamento os osteoclastos escavam o osso, formando lacunas na sua superfície e cavidades no seu interior. Após cerca de duas semanas os osteoclastos são deslocados pelos osteoblastos que em um período aproximado de três meses preenchem a área absorvida com osso novo. Até aproximadamente 30 anos de idade a quantidade de osso reabsorvido e reposto é igual. A partir daí, inicia-se um lento balanço negativo que vai provocar, ao final de cada ativação das unidades de remodelamento, discreta perda de massa óssea. Inicia-se, portanto, um lento processo de perda de massa óssea relacionada com a idade - osteoporose senil - no qual, ao longo de suas vidas, as mulheres perderão cerca de 35% de osso cortical (fêmur, por exemplo) e 50% de osso trabecular (vértebras), enquanto os homens perderão 2/3 desta quantidade. 
 
Além desta fase lenta de perda de massa óssea, as mulheres têm um período transitório de perda rápida de osso no qual a queda de estrógenos circulantes, que ocorre desde a pré-menopausa, desempenha papel importante. O período transitório de perda rápida pode se manter por 4 a 8 anos, nos quais a perda óssea chega até a 2% ao ano. O osso trabecular é metabolicamente mais ativo e mais responsivo às alterações do funcionamento do organismo o que pode explicar porque, neste tipo de osso, a perda óssea inicia-se, em ambos sexos, na terceira década e a massa total de osso declina 6 a 8% a cada 10 anos. Também a resposta à queda estrogênica é mais intensa, havendo grande aceleração do remodelamento ósseo e perda de 5 a 10% de massa óssea ao ano em 40% das mulheres - osteoporose da pós-menopausa. 
 
Observam-se, portanto, dois padrões distintos de alterações no funcionamento das unidades de remodelamento que levarão à osteoporose. Um é lento e dependente da idade - osteoporose senil - e relacionado com defeito na formação óssea; os osteoclastos produzem lacunas de profundidade normal ou até menores, mas os osteoblastos são incapazes de preenchê-las completamente.
 Já as modificações que ocorrem com a queda de estrógenos levam a um remodelamento onde há maior número de osteoclastos e cada um produz uma cavidade mais profunda; também há aumento da atividade dos osteoblastos que tentam corrigir o defeito mas não conseguem, caracterizando o remodelamento acelerado onde a atividade de reabsorção é maior e, no final de cada ciclo, haverá um declínio significativo de massa óssea - osteoporose da pós-menopausa. 
 
Fatores de risco para osteoporose:  
A massa óssea do adulto - pico de massa óssea - reflete o acúmulo de tecido ósseo ocorrido durante o crescimento. Parece chegar ao limite máximo ao redor dos 17 anos de idade, podendo estender-se até ao redor dos 30 anos.
Predispõem à osteoporose fatores que induzem a um baixo pico de massa óssea e aqueles que são responsáveis por perda excessiva ou baixa produção.
Genéticos:
Raça branca ou asiática, História familiar, Baixa estatura, Massa muscular pouco desenvolvida.
Estilo de vida:
Baixa ingestão de cálcio, Sedentarismo, Exercício excessivo levando a amenorréia (ausência de menstruação), Pouca exposição solar, Nuliparidade, Tabagismo,
Alcoolismo, Dieta vegetariana, Alta ingestão de proteínas permanentemente.
Alta ingestão de cafeína permanentemente:
Obs: Associado com os outros fatores
(Foto Ilustrativa)

16 abril 2010

Atenção e carinho com os idosos!


Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:
- Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?
Alguns arriscam: "Tumor na cabeça".
Eu digo: "Não".
Outros apostam: "Mal de Alzheimer".
Respondo, novamente: "Não".
A cada negativa a turma se espanta.
E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:
- diabetes descontrolado;
- infecção urinária; e
- a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é.
Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos.
Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez..
A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo.

Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina (dor no peito), coma e até morte.
Insisto: não é brincadeira.
Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água.
Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.
Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.
Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.
Conclusão:
Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo.
Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas.
O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos.
Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite.
Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam.
O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro.
Lembrem-se disso!
Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos.
Ao mesmo tempo, fiquem atentos.
Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção:
É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação.
Líquido neles e rápido para um serviço médico".
Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

09 abril 2010

Se não quiser adoecer...

Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos"
 Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças
como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..

Se não quiser adoecer - "Tome decisão"
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer - "Busque soluções"
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer - "Não viva de aparências"
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer - "Aceite-se"
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

Se não quiser adoecer - "Confie"
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer - "Não viva SEMPRE triste!"
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida
longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
"O bom humor nos salva das mãos do doutor".
Alegria é saúde e terapia.
( Dr. Drauzio Varela )

31 março 2010

Os Sonacirema

Os Sonacirema


A cultura Sonacirema se caracteriza por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que se beneficiou de um habitat natural muito rico. Muito ocupados com a economia, depreendem muito tempo com ocupação de rituais. O corpo humano é o principal foco de atenção dos rituais.

  Acreditam que é débil, feio e doente e por isso todo grupo tem em suas casas os santuários para suas cerimônias. Os mais ricos tem diversos deles, aliás, sua condição é avaliada pela quantidade de santuários que possui em sua casa. Os menos favorecidos têm apenas um e se espelham nos ricos na construção dos santuários, cobrindo-os de pedras e cerâmicas.

  As cerimônias ocorridas são secretas e privadas e somente com às crianças se discute esses mistérios, porque são iniciantes.

 Uma caixa embutida na parede guarda poções mágicas e inúmeros feitiços, sem os quais, nenhum nativo acredita poder viver.

 Os feitiços são obtidos de curandeiros, os quais escrevem com linguagem antiga e secreta as poções curativas que são levadas aos herbários e curandeiros que fornecem o feitiço desejado, cada qual recebendo substanciais presentes. Os feitiços são utilizados na medida de seu propósito e depois são guardados na caixa mágica que esta sempre cheia, são tantos que as pessoas esquecem sua utilidade.

  Embaixo da caixa sagrada existe a fonte de águas sagradas, que os sacerdotes mantêm ritualmente puro, através de cerimônias no Templo das Águas.

  Os homens-da-boca-sagrada estão abaixo dos curandeiros, e os Sonacirema acreditam que o cuidado da boca tem uma influência sobrenatural nas relações sociais e uma forte relação entre características orais e morais. O corpo e a boca fazem parte do ritual cotidiano, rito que repugna o estrangeiro, pois o uso de um pequeno feixe de cerdas de porco na boca, que movimenta pós mágicos com gestos iguais e continuados.

  O homem-da-boca-sagrada recebe a visita dos Sonacirema duas ou mais vezes por ano. Esses possuem uma variedade de objetos usados no exorcismo dos perigos da boca, alargam buracos e lá depositam pós-mágicos, mesmo que os dentes deteriorem os nativos continuam retornando. As personalidades destes nativos mostram uma tendência masoquista definida, pois o homem-da-boca-sagrada enfia a agulha no nervo enquanto seus olhos brilham sadicamente. Essa tendência fica evidente quando no ritual diário envolve uma arranhadura e laceração no rosto com um instrumento cortante. Ritos femininos também são masoquistas, quatro vezes por mês lunar, as mulheres enfiam suas cabeças em fornos durante uma hora.

  A imponência do templo Latipsoh recebe pacientes doentes para tratamento e as cerimônias ai realizadas, envolvem um grupo de vestais com roupa e penteados distintos, além do taumaturgo. Existe uma certa violência nas cerimônias, pouco conseguem curar-se. Crianças não gostam de submeter-se à doutrinação e resistem. Os guardiões não admitem o cliente que não possa dar um presente ao zelador, mesmo após sobreviver às cerimônias, não se permite a saída até que outro presente seja dado.

  Os Sonacirema não expõem o corpo e suas funções, como banho e excreções, e ao entrar para as cerimônias sofrem um choque psicológico por não estar na intimidade doméstica. Um homem nunca exposto no ato excretório, nem sua mulher, de repente, encontram-se nus diante de uma vestal desconhecida, enquanto executa suas funções no vaso sagrado. Essas excreções são utilizadas por um adivinho para diagnosticar a doença, enquanto as clientes são apalpadas e manipuladas pelos curandeiros.
  Além de ficarem quietos em suas camas duras, os pacientes recebem de madrugada a visita de vestais que os acordam e fazem uma série de exames, enfiando varas em suas bocas além de atirarem agulhas magicamente tratadas em sua carne.

  O feiticeiro chamado de Escutador exorciza demônios em pessoas que foram enfeitiçadas. Os Sonacirema expõem ao Escutador todos os seus medos e problemas, pois acreditam que os pais fazem feitiçaria contra os filhos.

  A estética nativa é aversa ao corpo e as funções naturais. Fazem rituais de jejum para fazerem gordos ficarem magros, banqueteiam os magros para os engordarem, rituais para fazerem seios das mulheres crescerem, ou diminuírem se são grandes. Aliás, essas de desenvolvimento hiper-mamário são idolatradas e podem viver de aldeia em aldeia exibindo-os em troca de uma taxa.

  As funções sexuais são distorcidas, tabu como conversa, são muitos esforços feitos para evitar a gravidez, materiais mágicos e fases da lua. A concepção é pouco freqüente e, quando grávidas, as mulheres se vestem a ocultar o seu estado. O parto é em segredo, a maioria das mulheres não amamenta e nem cuida dos bebes.

  Essa vida cheia de rituais mostra a dificuldade de compreender como os Sonacirema conseguiram sobreviver com os pesados fardos que lhes impuseram.

 Agora que você leu tudo, leia ao contrário a palavra... Sonacirema. "nós, Sonamuh", também temos as mesmas práticas, mas não entendemos a verdade simplesmente pelo nosso preconceito e por despreparo mental em analisar as coisas sob outros pontos de vista, que não o do nosso ego.
(Foto Ilustrativa) - Adaptação de texto de Daniel MM

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